Grupo Anarquista  de Capoeira Angola

após alguns anos de pesquisa e confusão semântica, surge esta proposta:

TRADUÇÕES:

inglês espanhol sérvio

devido ao tamanho do texto, dividi em sete partes, mais as observações, 

nesta página a última parte e as observações, as outras seis partes estão nos Links-Títulos


"CAPOEIRA - Qual é a sua ??

ANGOLA, REGIONAL ou CONTEMPORÂNEA"

“Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade”        Manoel de Barros

Introdução - 1

Origens da Capoeira Angola - 2

Onde a confusão aumenta... -3

...Capoeira Regional -4

Onde a confusão se espalha... -5

...uma prática... - 6

...considerações finais e iniciais. - 7 (fim)

         Em 1993 a pesquisa da Soma deu seus primeiros frutos. Os somaterapeutas ligados a Roberto Freire se aprofundam na Capoeira Angola montando um espaço destinado a Angola de Mestre Pastinha e criando um dos primeiros espaços dedicados somente a esta arte (inclusive, tendo conflitos com um capoeirista na sua inauguração) em São Paulo: o Tesão – a casa da Soma, em Perdizes. Enquanto isso, Mestre Almir das Areias cria seu projeto Soma-Capoeira, procurando juntar Angola, Regional e outros estilos num só, o que nada tem a ver com a Somaterapia, ou a proposta da Soma, que é exclusivamente viver a Angola.

Outro ponto de confusão é a questão libertária, que é mal vista por muitos devido à tentativa política da ‘esquerda’ e da ‘direita’ em confundi-la com bagunça ou desordem. Através da denúncia do autoritarismo, o Anarquismo, como a Angola, produz a permanente crítica às relações que produzem o movimento social. Hoje, o próprio Movimento Anarquista está contaminado de autoritarismo, e a Soma-Iê procura lutar contra isso vivendo a Autogestão (ou melhor, em permanente busca por ela). A luta pela Autogestão é a luta cotidiana contra a vivência do autoritarismo. Nos estudos de grupos de Capoeira nos aproximamos da cultura Bantú na descentralização do poder e no respeito à dignidade humana (não confundir com cidadania (*24) – sempre conceitos em conflito...). O que está difícil na sociedade é a vivência da Autogestão e, principalmente, as associações em macro escala, possíveis na teoria de “Do Princípio Federativo”, de Pierre-Joseph Proudhon, mas raramente vividos na prática. Vivência que acontece cotidianamente nos diálogos da roda de Capoeira Angola.

Os aspectos técnicos retomados podem variar, mas como exemplificação da terminologia vamos analisar a bateria das rodas. Mestre Pastinha mostrou que na bateria o berimbau é indispensável. Com a retomada da Angola pelo GCAP, Mestre Moraes a definiu com três berimbaus, dois pandeiros, atabaque, agogô e reco-reco. E outros grupos como de M. João Pequeno e m. Curió já usava bateria similar na época. Muitos grupos criaram essa bateria como ‘lei’ sem perceber que não é só isso que definirá o estilo. A Regional de Mestre Bimba, que hoje atua com um berimbau e dois pandeiros de couro, segundo Mestre Boca Rica, antes também contava com um reco-reco.

A entrada dos instrumentos é plural. O berimbau-de-barriga entrou na Capoeira entre os séculos XIX e XX. Na vida social, o berimbau era usado por vendedores ambulantes para chamar a atenção. Antes, no lugar do arame, era usado o cipó-de-imbé e havia também o berimbau-de-boca. O nome ‘berimbau’ é de origem portuguesa e espanhola e foi transferido para o arco-musical africano, que é um dos instrumentos musicais mais antigos da humanidade (*25). A entrada do atabaque se deu provavelmente no século XX, na institucionalização da Capoeira. Apesar de constar na clássica ilustração de Johann Moritz Rugendas (de 1830, considerado o mais antigo desenho do jogo de capoeira), o atabaque não manteve uma continuidade histórica. Inclusive, há versões de que quem o introduziu recentemente foi Mestre Canjiquinha. Se no Rio de Janeiro, na capital do Império, entrou a navalha, “a Bahia muito contribuiu, na parte musical, introduzindo o pandeiro, o caxixi e o reco-reco, em substituição às palmas; e o berimbau de barriga com corda de aço, com voz mais sonora e muito mais recursos que o de boca” (*26).

 Só para apresentar esta exemplificação da bateria, vi na década de 90 grupos mudando e variando. Alguns, que usavam um berimbau, passaram a usar três berimbaus. No aspecto aparente e superficial, passaram da Regional para a Angola, mas no aspecto técnico da música, o tipo de toque, a afinação de cada berimbau e a sua função na roda, eles simplificaram e enfraqueceram a proposta da Angola, aumentando a descaracterização e a confusão.

Assim procuro separar os aspectos OBJETIVOS, como cores de uniforme, bateria, músicas, etc, dos aspectos SUBJETIVOS, as intenções e relações criadas que se buscam na brincadeira de Angola. Sem uma entrega visceral (como abandonar a tentativa de ter vários estilos hoje) não se conhecerá todo esse mistério afro-brasileiro. Podemos ultrapassar a ‘objetividade-sem-parênteses’ das análises objetivas e trabalhar a ‘objetividade-entre-parênteses’(*27) na Capoeira. A Soma-Iê quer movimentar os conceitos, colocando todos como ‘observadores’: ação direta produzindo trocas dentro da roda e fora dela. Cada um é quem vai optar entre ilusão e percepção. A arte da Angola vai contra a alienação dominante. Hoje, mesmo grupos de Angola que não mantiverem um contato com outros mestres angoleiros podem no decorrer do tempo mudar de estilo. Pois a Angola, viva e em movimento, é formada pelo conjunto dos praticantes e seus intercâmbios.

                Como fiz dois anos de 'Contemporânea' e dez anos de Angola pura não tenho competência nenhuma para falar da Regional. Possuo somente algum conhecimento teórico. Na Angola só terei alguma competência para nela começar a me expressar com mais de quarenta anos de Capoeira. Não tenho pressa, pois ainda faltam trinta anos para isso. Sempre que se tenta explicar as diferenças de estilos da Capoeira, o aspecto semântico confunde muito. Pois só é possível entender a Capoeira através da experiência pessoal e própria. Este texto é parte de uma pesquisa na qual pretendo mostrar os efeitos poderosos que a Angola possui para a vida humana enquanto terapia, liberação da criatividade, liberação energética, etc...

                Uma grande riqueza desse universo é sua diversidade. Neste aspecto, a Capoeira imita a natureza em sua biodiversidade. Estamos a cada dia descobrindo novidades, "movimento é vida".

                O que pretendo com este texto é clarear um pouco a nomeação dos estilos, mas com certeza dentro de cada estilo cada grupo possui suas diferenças. O que vejo na Angola é como cada um consegue descobrir o seu jeito de se expressar, uma verdadeira unidade na diversidade (*28). Muito mais importante que os nomes é o que se pratica, e, nesse aspecto, a Capoeira tem uma unidade. Pois posso dentro do meu estilo me adaptar e jogar em rodas de outros estilos. E é a partir desta prática que pergunto com este texto: Qual é a sua? Cada um está escrevendo a sua história corporalmente e procurando manter as capoeiras.

            O que tenho visto são três ambientes e a melhor síntese disso seria a duração de permanência de estilos:

-         CONTEMPORÂNEA é a capoeira mais difundida. Aqui nesta categoria coloco todas as nomeações que tenham menos de 50 anos de existência. Aqui entra a MAIORIA DE GRUPOS E ACADEMIAS, com a Capoeira sendo chamada de ‘Angola-e-Regional’, e as contemporâneas ‘regional-moderna’, ‘Soma-Capoeira’, Capoeira free-style (para luta Vale-tudo), Hidro-Capoeira, Capoeira misturada com outras lutas (boxe, muay-thai, etc) e ainda as que não querem abandonar seus títulos anteriores. Na década de 90, tentaram e hoje ainda tentam se aproximar da Angola (o que está gerando confusões, pois todos têm o direito de aprender o que quiser, mas nesta categorização, estes angoleiros "contemporâneos" se diferem dos que jogam EXCLUSIVAMENTE a Angola);

-        REGIONAL pura de Mestre Bimba, que está sendo divulgada e recuperada, principalmente, por Mestre Nenel. Passou por mudanças, tem em torno de 80 anos de existência;

-       ANGOLA pura, que possui Mestre Pastinha como ícone maior, mas que comporta dentro do mesmo estilo variações práticas e técnicas derivadas de 400 anos de existência e experimentação. Nessa categoria, não se aceitam competições ou campeonatos, pois o melhor da roda não pode ser medido, não existe. Cada um contribui com seu melhor para a roda e isso potencializa a energia coletiva, que retorna para o indivíduo. A Soma-Iê se encontra dentro desta proposta com os grupos de terapia ligados aos Coletivos Iê’s de SP, BH e Curitiba. Apesar de não ter um mestre nos apadrinhando, buscamos a responsabilidade de não misturar ou deturpar sua essência, permanentemente fazendo oficinas com mestres angoleiros. Uma fonte de referência além do GCAP e suas derivações (*29) é a ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola), que possibilitou a volta de mestres que pararam por mais de 20 anos ou que modificaram seu estilo e agora voltaram à Angola. E inúmeros angoleiros que se espalham pelo Mundo a fora, os já citados e outros como M. Curió,  Mestre Lua de Bobó, M. René, M. Roberval e M. Laércio, e sem falar dos antigos capoeiristas como M. Antônio Diabo de Jequié.

Esta categorização (*30) pode ser usada por grupos e rodas, mas é sobre o capoeira, o capoeirista, que procuro definir. Pois se Mestre Bimba foi angoleiro e criou a Regional, qualquer um pode mudar de estilo no decorrer do fluxo de sua vida. Nem é sempre o título conseguido por um mestre angoleiro que definirá seu estilo. Mestre João Pequeno, maior raiz viva da Angola, formou mestres em Minas Gerais que nesta categorização não são angoleiros. Há também outros mestres antigos que são angoleiros e foram criando alunos e mestres não-angoleiros (Mestres Brasília e Sergipe, e outros inúmeros exemplos). A Capoeira é PRÁTICA e não TEÓRICA. Se mestres tiveram formação angoleira ou regionaleira pura e não a seguem, procuro enquadrar seu estilo em função da sua prática cotidiana, de seu grupo e alunos.

Esta categorização não é entre melhor e pior, simplesmente busco explicitar uma forma de ver a Capoeira que desenvolvi nos últimos anos, na prática, na convivência e na pesquisa. Apesar dos estilos terem treinos e rodas que definem o cotidiano de seus praticantes, qualquer um pode participar de um outro estilo, desde que respeite os rituais locais, o que mantém a possibilidade de chamarmos tudo isso de CAPOEIRA. Acontecem muitos eventos onde se convidam mestres antigos, ora pra valoriza-los, ora para tentar usar seus nomes, são tênues esses limites, e secundários, desde que se respeitem estes mestres.

A individualidade defendida por Mestre Pastinha (“cada um é cada um, ninguém luta como eu”) é fundamental dentro do estilo Angola. No entanto, a infiltração da militarização e da padronização (*31) pode ainda descaracterizar a Angola no contexto atual de globalização econômica. Mesmo grupos que foram fundamentais no resgate da Angola, ao insistirem em uma única padronização, podem enfraquecê-la. O ‘Cobra Mansa’ de Mestre Pastinha, Mestre João Pequeno é fundamental hoje, pois além de ser o mais importante capoeirista vivo e em atividade, soube experimentar e trazer de volta elementos ritualísticos da sua Angola. Poucos podem trazer em seu currículo mais de 71 anos de capoeiragem em quase 85 anos de vida.

Desejo críticas e sugestões para ir ‘movimentando’ minhas percepções aqui apresentadas e poder retribuir em novos textos (as correções colocarei no livro), procurando buscar mais ‘sinceridades’ que ‘verdades’. Nas últimas décadas, com a existência de técnicas de vídeo, fotos e arquivos, há capoeiristas tentando inventar (mentir) seu passado. Uma pergunta pode ser um desafio ou um diálogo, na roda e na vida. Dentro das capoeiras, eu pergunto: Qual é a sua?

 Posso definir o outro de fora e cada um pode se definir. Assim poderemos confrontar conceitos. Querer definir o outro pode parecer autoritário, uma forma de me defender (fechar), mas também pode fazer parte do meu direito libertário. O autoritarismo também é móvel e está nas relações e não só em conceitos. Pois os conceitos mostram a prática e esta é modificada cotidianamente, pelas relações do indivíduo com seu meio. Eu sou angoleiro, sim sinhô... e pergunto ao Kamugerê, qual é a sua?

                 “Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições”        Manoel de Barros

Rui Takeguma Somaterapeuta criador da Soma-Iê, anarquista, fotógrafo e professor do Iê – Grupo Anarquista de Capoeira Angola de SP, participante da FACA (Federação Anarquista de Capoeira Angola)                                                 São Paulo, Fevereiro de 2002

ruitakeguma@uol.com.br                               www.soma.pagina.de                    http://ie.angola.pagina.de

 

As primeiras pequenas correções aconteceram após e-mail´s de Mestre Cobrinha (EUA) e MestreMano (RJ), contatos pessoais com M. Nenel (BA) e novas referências bibliográficas.

Entregue além dos e-mails variados, pessoalmente para M. Primo, M. João em BH-MG, e avisado da HP para Silvinho e René. Na Bahia, Pepeu do GCAP, Aranha e Zóinho e Grito do M. João Pequeno, M. Moa do Catênde da ABCA, Mestre Nenel do Filhos de Bimba e M. Roberval do Filhos de Angola.  Avisado do texto na HP para CM. Boca do Rio e Déo Lembá.

Em 4 e 5 de Abril de 2002, Salvador-BA.

 Observações:

*1 –Seu próprio inimigo e porta-voz do establishment, o jornal The New York Times, acabou tendo de reconhecê-lo como “o mais importante intelectual vivo da atualidade”. Chomsky é anarquista declarado e professor no Massachusetts Institute of Technology (MIT - EUA). Mesmo Chomsky, com sua capacidade de percepção especial sobre política internacional, errou ao classificar o governo do Rio Grande do Sul (ou a prefeitura de Porto Alegre) como ‘dos trabalhadores’ durante a palestra de abertura do 2º Fórum Social Mundial, no início de 2002. O PT (Partido dos Trabalhadores) pode até ser diferente nas intenções em relação aos outros partidos, mas na prática repete a mesma estrutura de poder e exploração, gerando e mantendo a desigualdade social e desviando a possibilidade de uma ação mais revolucionária e rápida: a mudança no meu corpo, aqui e agora.

*2 – Roberto Freire, 75 anos, escritor e criador da Soma. Em início de 2002, ocorre minha separação com a Soma praticada pelo Coletivo Brancaleone e, com Freire voltando ao Brancaleone, opto por um vôo solo na pesquisa prática da Somaterapia: “Manifesto Soma-Iê” – Janeiro de 2002.

*3 – Revista LIBERTÁRIAS nº2, nov./dez.1997, “Capoeira Angola a Arte da liberdade” por Rui Takeguma. Quem desejar ler o texto na íntegra pode acessá-lo na página:

        http://somaterapia.vilabol.uol.com.br/artigos.html

*4 – palestra do Dr. Fu-Kiau (Lemba Institut – NY/EUA) durante o III Encontro Internacional de Capoeira Angola, da Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA), Salvador-BA, agosto de 1997.

*5 – “O folclore negro do Brasil” de Arthur Ramos, Rio de Janeiro 1935. A relação Angola-Brasil é outra ainda a ser contada, além dos portugueses terem sido os únicos europeus a praticar guerras oficiais de captura de africanos, os brasileiros foram os únicos americanos a ajuda-los nessas violências. Em 1648, saiu do Rio de Janeiro a força expedicionária de Salvador de Sá (armada e financiada por fazendeiros fluminenses) que reativou o tráfico para o Brasil após expulsar os holandeses de Luanda. Foi o paraibano André Vidal de Negreiros, então governador de Angola, quem destruiu o reino de Congo, antigo soberano dos reinos nativos de Angola, na batalha de Ambuíla, em 1665 (por Luiz Felipe de Alencastro, Nós em Angola, Angola em nós, revista Veja, 27/11/1996).

*6 – “Liberdade por um fio – História dos quilombos no Brasil” organização de João José Reis e Flávio dos Santos Gomes, São Paulo 1996.

*7 – “Breve Histórico sobre a Capoeira” por Mestre Moraes, publicado em revistas e no site do GCAP: http://www.gcap.com.br. Esta tese foi levantada por Luís da Câmara Cascudo (Folclore do Brasil, 1967) e Mestre Pastinha começa a defendê-la, como uma possibilidade, depois de ir à África em 1966.

*8 – entrevista a Revista GINGA CAPOEIRA, nº5 – 2001.

*9 – Livro “Capoeira e Mandingas – Cobrinha Verde”, de Marcelino dos Santos, Salvador 1991.

*10 – Livro “Capoeira Angola”, de Mestre Pastinha, Salvador 1964.

*11 – “Los Conjurados Del Quilombo Del Gran Chaco”, de Augusto Roa Bastos, o principal escritor paraguaio e um dos mais importantes da literatura latino-americana. Em 1989 recebeu o Prêmio Cervantes – o mais célebre da língua espanhola.

*12 – “A Capoeira é brasileira”, de Luiz Carlos K. Rocha, Revista MUNDO CAPOEIRA, maio de 1999.

*13 – “A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro”, de Carlos Eugênio Líbano Soares, Rio de Janeiro, 1994.

*14 – “A Lei Áurea revisitada”, de José Luiz Werneck da Silva, suplemento Negros Brasileiros, Revista CIÊNCIA HOJE, nº48, novembro 1988.

*15 - “Zumbi dos Palmares: Identidade Nacional e Democracia” por Maria Lúcia Montes.

*16 – “Le Brésil em 1889: les zones agricoles”, de André Rebouças, 1889.

*17 – A- “Capoeira: Matriz Cultural para uma Educação Física brasileira”, de Sergio Luiz Vieira, 1997.

   17 – B- “As raízes da Regional”, Ângelo Decânio, Revista da Bahia, V.32, nº33, Julho de 2001.

*18 – Jornal Tribuna da Bahia, Salvador, 7 de fevereiro de 1974.

*19 – “Mestre Pastinha – cada um é cada um, ninguém luta do meu jeito”, de Rui Takeguma, escrito para a Revista CORDÃO BRANCO em 30/01/2002, Espaço Cultural TESÃO, São Paulo. Disponível na home-page do Iê – Grupo Anarquista de Capoeira Angola.

*20 – Canjiquinha – Alegria da Capoeira”, de Antônio Moreira.

*21 – “O mundo de pernas para o ar – A Capoeira no Brasil, de Letícia Vidor de Sousa Reis, 1997.

*22 – Depoimento gravado em vídeo durante e para o I Encontro Nacional de Capoeira Angola de Belo Horizonte, em 1999. Para mim este foi o mais importante evento de Capoeira que participei, não só pelos Mestres presentes, mas principalmente por ser realizado por quase todos os grupos de Capoeira Angola de Belo Horizonte, diferente de eventos promovidos por um ou outro grupo. Ele aconteceu em grande parte pela luta de mestre Primo do grupo Iúna.

*23 – Na Revista Brasileira de Estudos Sociais, v.4 nº10, 1989. Os pontos levantados por Frigério são: Malícia, Complementação, Jogo Baixo, Ausência de Violência, Movimentos Bonitos, Música lenta, Importância do Ritual e Teatralidade.

*24 – Como anarquistas, não nos interessa a participação na política nacional, defendendo a Pátria ou o Estado. Somos internacionalistas. O Brasil de 2002, que mantém a miséria de grande parte de sua população, deposita mensalmente dois bilhões de dólares de juros de uma impagável dívida com o FMI, criada nos governos militares.

*25 – “O Berimbau-de-barriga e seus toques”, de Kay Shaffer, monografias folclóricas 2, 1977.

*26 – “O jogo da capoeira – 24 desenhos de Carybé”, de Carybé, Bahia, 1955.

*27 – “Emoções e linguagem na educação e na política”, de Humberto Maturana. A Capoeira, como um todo, mantém uma “objetividade-entre-parenteses”, que possibilita estarmos na mesma história e crescimento – aceitando o outro independente do estilo e deixando-se vadiar, trocando na roda. Também pela negação responsável desta objetividade, percebendo o momento de recusar a troca e estabelecendo limites, que poderemos manter a Angola fora de elementos cooptadores como o hierarquismo e a competitividade, inerentes ao ambiente atual. Podemos e devemos reagir através da evolução da relação do organismo (Angola) com o meio (Capoeira).

*28 – Proposta anarquista: vivência da autogestão. Nós, anarquistas, temos muito que aprender com essas estratégias e práticas. Aprender com a teoria libertária para podermos viver o jogo de Angola na vida social, fora da roda.

*29 – Derivações diretas do GCAP, a meu ver, são o CCARJ (Centro de Capoeira Angola do Rio de Janeiro) e a FICA (Fundação Internacional de Capoeira Angola). Derivações indiretas são os sem estrutura formal de ligação com estes Mestres, mesmo que com eles tenham aprendido e ainda aprendam, como por exemplo, o Iúna, de Belo Horizonte, o Angola Dobrada, ou ainda o Aprendizes de Angola, que existiu em Curitiba. São poucos grupos exclusivamente de Angola. Nas cidades de Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte existem MENOS DE DEZ grupos deste estilo, entre centenas e milhares de Capoeira "Contemporânea". Em Curitiba e Florianópolis, quem formou os primeiros grupos de Capoeira Angola foi a Somaterapia, com a sua proposta. É na Bahia que ainda se preserva a maior diversidade de raízes da Angola.

*30 – Buscando apoio na forma de pensar do biólogo chileno Humberto Maturana Romesín (“tudo é dito pelo observador”), procuro que esta categorização seja mais “distinguir” que “classificar”. Agradeço a revisão deste texto por alguns amigos e membros do , em especial o Marcão de BH, Marcos Vinícius Bortolus. Além da edição de texto, feita pelo poeta André Pessôa, e a revisão final, por Juliana Freire.

*31 – Aprofundar como as ditaduras tenderam a essa função na história nacional seria interessante, pois os governos, de cima para baixo, tendem a espalhar e espelhar na sociedade sua estrutura regrada e rígida. A Angola, como o anarquismo, nasce de cada indivíduo e se harmoniza cotidianamente nos conflitos interpessoais. Na Capoeira isso é gerado na roda. O anarquismo seria uma forma de ampliar essa experiência corporal para os conflitos do cotidiano, gerando uma sociedade autogestiva, de baixo para cima. Não sem regras, mas com regras em movimento, fruto dos conflitos do aqui e agora, entre pessoas em igualdade de posições e com liberdade de expressões.

*32 – Depois de terminar este artigo, saiu no Jornal “Folha de São Paulo” de 24 de Janeiro de 2002 na matéria “Empresa Brasileira é branca e masculina”: “Mulheres e negros estão sub-representados dentro das empresas brasileiras. Os negros e pardos, por exemplo – que respondem por 46% da população do país – , ocupam uma quantidade irrelevante (6%) das vagas na direção das companhias atualmente”. É só mais um exemplo para que se possa ver que a Abolição está no papel e não nas relações sociais como um todo. A luta nunca foi negros x brancos ou mulheres x homens e sim entre quem está em cima x quem está embaixo (Zapatismo ou Anarquismo).

 - inicial

Inicial  !  N o v i d a d e s  Antiguidades  !  Roberto Freire  !  Rui Takeguma  !  Eventos 2001  !  Eventos 2000  !  Criatividade Libertária  !  Anarkia e Projeto Ravachol  !  Prêmio Walter Firmo de Fotografia  !  Maratonas na Natureza  !  Artigos Tesão  !  Artigos Amigos  !  Biblioteca Roberto Freire  !  Link's  !  Iê Grupo Anarquista de Capoeira Angola  !   F.A.C.A.  !   Espaço Cultural Tesão  !   Uma Foto por dia   !